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Planejamento sucessório: o segredo das empresas familiares de sucesso



As empresas familiares representam, atualmente, 80% de um total de 21 milhões de empresas ativas no país[1], segundo aponta a Pesquisa de Empresas Familiares realizada pela PWC[2]. Não obstante serem conhecidas pela resiliência e estabilidade, segundo a pesquisa o tempo médio de vida destas é de três gerações, sendo que apenas 12% sobrevivem além disso, caindo para 3% o número de empresas que conseguem alcançar a quarta geração.

Atribui-se a essa diminuição alguns fatores, como o crescente aumento da competitividade, a globalização, a flexibilização das normas para constituição de empresas e até do próprio conceito de “família”, que atingiram em cheio a todas as empresas familiares, não importando o tipo de empresa ou área de atuação. Além disso, as constantes modificações na legislação, cumuladas com o advento do novo Código Civil, fizeram com que fosse inevitável uma reestruturação da empresa como um todo, e assim entra em cena o planejamento sucessório.

Para muitos empresários, fazer um planejamento sucessório e patrimonial ainda parece desnecessário e incômodo. Contudo, deve-se ter em mente que planejar é sinônimo de garantir que sejam preservados todos os valores e objetivos mais fundamentais da empresa quando esta for transmitida aos herdeiros.

No cenário atual, para que a empresa familiar se mantenha no topo, são necessários a preparação profissional dos sucessores, a responsabilidade ambiental, a separação entre patrimônio empresarial e pessoal, a implementação da gestão empresarial, a governança corporativa e a atualização no tocante à legislação e, mais do que nunca, à tecnologia.

Uma vez consolidada a ideia do que é planejamento, é preciso ter em mente que um planejamento sucessório completo irá alcançar, além da empresa, a esfera pessoal dos sócios. Assim, far-se-á a proteção do patrimônio pessoal, através da constituição de holdings patrimoniais e outros institutos de ordem societária que, além de complementar o planejamento e facilitar a sucessão, ainda garantem uma vantajosa economia tributária.

A solidez de uma empresa familiar depende diretamente da qualidade do seu planejamento sucessório, tendo, assim, a garantia de que as novas gerações trarão a inovação necessária ao avanço da empresa, deixando sua marca, porém, mantendo vivas as tradições ensinadas por seus pais e avós, e por consequência mantendo vivas também as suas memórias.

 

Bárbara Meira de Souza –  Advogada Societária em Schramm Hofmann Advogados Associados

 


[1] Segundo dados do Empresômetro, projeto sócio do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, que coleta dados baseado na arrecadação tributária nacional - http://empresometro.com.br

[2] Pesquisa de Empresas Familiares realizada em 2016 (A PWC é um networking de firmas atuante no país desde 1915, com cerca de 4.200 profissionais distribuídos em todas as regiões brasileiras – https://www.pwc.com.br)